segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O mérito e a humanidade!

O que é ser-se humano?
Considera-se que matar um animal em sofrimento é humano. Mas fazer o mesmo a um homem já é um crime.
Então o que é ser-se humano?
Ter compaixão pelo que nos rodeia, mas só se for irracional. Se se tratar de uma pessoa a mesma compaixão já não pode ser aplicada. Se calhar é por isso que aparece um individualismo crescente na nossa sociedade; não podemos ter compaixão pelos seres humanos que nos rodeiam.
E será este individualismo algo assim tão errado? Afinal todos nós somos únicos; não há dois seres humanos iguais em tudo.
Se calhar até não seria algo assim tão mau, não fosse estar intimamente ligado a um crescente egocentrismo e até egoísmo e oportunismo.
Cada vez mais o EU é a palavra operatória na vida de cada indivíduo. O EU é o mais importante; não há cá espaço para o NÓS, muito menos para o TU ou o ELE. A sensação do “não preciso de ninguém” é muito forte nos tempo de hoje. – Aos menos se fosse verdade!
Para muitos este egocentrismo atravessa ainda a barreira do egoísmo. “Eu tenho, mas é só para mim; não partilho com ninguém!” – Acho que é ridículo comentar este tipo de sentimentos. Entristece-me!
Para outros tantos atravessa a barreira do oportunismo. Tantos usam os outros para subir uma escada mas são incapazes de retribuir essa ajuda. – Lá está o EU no centro. – “EU apoio-me porque me deixam, mas não pedi nada a ninguém, portanto não tenho que ajudar ninguém, nem ninguém me pode pedir o que quer que seja!” – Entristece-me ainda mais quando o ser humano consegue ser assim tão mesquinho. É incrível o que dita a consciência desta humanidade. Já ninguém pára para velar por quem já velou por si.
Entra então o mérito, esta figura mítica.
Há uma corrente que puxa o valorizar pelo mérito. Vê-se em algumas empresas a figura de empregado da semana ou do mês, muitas vezes com bónus salariais acrescidos.
Mas quem é que valoriza o pobre coitado que ainda não se lembrou do egocentrismo? Quem é que valoriza o parvo que sai do seu caminho para ajudar um qualquer próximo? Quem é que valoriza o estupor que ainda se dedica à felicidade dos seres humanos que o rodeiam? Não serão estas figuras de mérito?
Pelos vistos não. Já ninguém valoriza aquilo que em tempos era considerado nobre. Já ninguém valoriza o altruísmo de um código de honra. Infelizmente o egocentrismo da humanidade proíbe-o.
Já não há mérito em ser-se humano!

3 comentários:

  1. a tavola redonda dilui-se em mito, e a excalibur perdeu-se... tudo o resto virou uma longa manhã de neblina... Os Homens são somente sombras que vagueiam por entre corpos humanos...
    nem, todos os vêem nem todos os querem ver... são hoje apenas historias remotas, que actuam sob o signo da rosa...

    ResponderEliminar
  2. Adorei! E Infelizmente isso é bem verdade...

    ResponderEliminar